Krispy Kreme acelera expansão internacional com modelo capital-light e o Brasil no radar
Por Global Franchise | Mercado americano de franquias | Com informações do Franchise Times
A Krispy Kreme está acelerando a presença global com uma tese clara: menos capital próprio na ponta, mais parceiros locais fortes e refranchising onde a operação company-owned já cumpriu seu papel. Segundo o Franchise Times, a estratégia mistura novos mercados via master franchise / joint venture e venda de operações em países onde a marca já estava madura, com o Brasil entre os cases mais relevantes do momento.
O Brasil: Ipiranga, ampm e o "hot light" em São Paulo
A marca entrou no Brasil em abril de 2025 por meio de uma joint venture com a Ipiranga, operadora de cerca de 1.500 lojas ampm e grande distribuidora de combustíveis. A Ipiranga é sócia majoritária (55%); a Krispy Kreme detém 45%.
O plano no país começa por hot light theaters e fresh shops, o formato em que o consumidor vê a produção e leva o donut quente. A terceira loja hot light em São Paulo estava prevista para setembro, somando-se a três quiosques em shoppings e dois em campi corporativos.
Renato Stefanoni, vice-presidente comercial da Ipiranga e chairman da Krispy Kreme Brasil, resume o espaço de mercado: o Brasil tem cultura de padaria, mas ainda não tem cultura de donut no mesmo nível. Há espaço para o ecossistema de varejo da marca, e a Ipiranga entra com reputação, escala e leitura de real estate na Grande São Paulo (mais de 20 milhões de habitantes na região metropolitana).
A demanda nos theaters, segundo ele, já é tão alta que ainda não há capacidade para abastecer as lojas ampm, embora o canal de conveniência faça parte do projeto de expansão. No cardápio, a localização aparece cedo: o donut de doce de leite é exemplo de ajuste ao gosto brasileiro, no mesmo espírito do que a operação japonesa fez com farinha de arroz e doçura calibrada.
"O Brasil tem muito interesse de marcas internacionais… mas às vezes a marca traz o jeito de criar a marca naquele país. Quando chegam ao Brasil, não se adaptam à cultura local."
, Renato Stefanoni, Ipiranga / Krispy Kreme Brasil
Para franqueadores e investidores brasileiros, o case é didático: parceiro local com rede, capital e conhecimento de ponto + marca global com modelo de hub + localização sem perder o DNA.
Capital-light: master franchise, JV e refranchising
O CEO Josh Charlesworth (na empresa desde 2017, CEO desde 2024) descreve o padrão internacional: quase um master franchise por país, com expertise e conhecimento do consumidor local, mas seguindo o modelo da marca.
A Krispy Kreme opera em mais de 40 países e fala em mais de 15 mil "points of access" no mundo: cerca de 222 lojas hot light / fresh nos EUA, quase 2.000 lojas internacionais e o restante em fresh delivery doors (varejo e outros pontos que recebem donuts frescos). O motor operacional é o hub-and-spoke: theaters maiores produzem e alimentam entregas diárias para outros pontos.
Além de abrir mercados novos, a empresa executa refranchising para aliviar o balanço. Exemplos citados na reportagem:
- compra do restante do equity no Canadá (cerca de US$ 25 milhões) com passos para refranchise;
- venda da operação no Japão para a Unison Capital por US$ 69,3 milhões (março), após ter operado o país desde 2020;
- nos EUA, deal de cerca de US$ 90 milhões com a WKS Restaurant Group (participação na JV sobe de 45% para 80%, mais 23 lojas company em Califórnia e Havaí).
Mercados company-owned ainda incluem Austrália, Irlanda, México, Nova Zelândia e Reino Unido, sob avaliação de refranchising. A marca mantém participações minoritárias em franquias na França (33%), Brasil (45%) e Espanha (25%).
Novos mercados e o Japão como prova de formato
Nos últimos ciclos, a marca chegou ou acelerou em Espanha, Uzbequistão (plano de dezenas de lojas), Holanda (acordo para 30 unidades), Estônia e Maurício. No Japão, com 94 lojas e mais aberturas no ano, a CEO Takako Wakatsuki reforça que o hot light theater eleva lealdade e que o equilíbrio entre localização e essência da marca separa quem fica de quem só "passa" pelo mercado.
Por que isso importa para o franchising brasileiro
- Entrada no Brasil via operador de rede (Ipiranga/ampm) mostra o tipo de master/JV que marcas americanas buscam: capital, pontos e execução local.
- Capital-light é tendência de franqueador listado: crescer com o balanço do parceiro, não só com o próprio.
- Hub-and-spoke e canal de conveniência (ampm no futuro) exigem capacidade de produção antes de escalar delivery doors.
- Localização cedo (doce de leite, real estate de bairro) reduz o risco clássico de "copiar o playbook americano" no Brasil.
- Refranchising e JV com equity minoritário são ferramentas de portfólio, não só de abertura de loja.
Na Global Franchise, lemos esse movimento no mesmo radar da série mercado americano: valuation, capital, formato de loja e parceiro certo no destino definem se a internacionalização vira rede ou vira experimento caro.
Radar Global Franchise: mercado americano
Seguimos a série de notícias e leituras do franchising nos EUA e no exterior, com foco no que interessa a franqueadores, multiunidade e marcas em expansão internacional, inclusive no Brasil.
Matéria de referência: Franchise Times (edição setembro 2026).
A Global Franchise é consultoria especializada em formatação, expansão e internacionalização de franquias desde 1987, representante exclusiva da FCI no Brasil. Escritórios no Brasil e nos EUA. Quer estruturar a entrada ou a saída internacional da sua marca? Fale conosco no WhatsApp.
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