Fundos de 90 gestoras perderam metade do patrimônio: o que a Global Franchise lê nessa notícia

Global Franchise comenta notícia E-Investidor sobre gestoras e patrimônio

Fundos de 90 gestoras perderam metade do patrimônio: o que a Global Franchise lê nessa notícia

Por Global Franchise | Comentário sobre matéria do E-Investidor / O Estado de S. Paulo


Reportagem de Marília Almeida no E-Investidor (O Estado de S. Paulo, 14/09/2026) mostra um retrato duro do mercado de fundos no Brasil: cerca de 90 gestoras perderam 50% ou mais do patrimônio sob gestão nos últimos cinco anos. O recorte corresponde a 8,37% do total de gestoras no ranking da Anbima (1.075 casas).

A maior parte dos casos se concentra em fundos multimercados e de ações, classes que mais sofreram com juros elevados, concorrência de títulos isentos de IR e o avanço de ETFs e de grandes plataformas de distribuição.

O que a matéria documenta

Entre os nomes citados no texto:

  • Verde Asset (Luís Stuhlberger): patrimônio sob gestão de R$ 59,3 bilhões em julho de 2021 para R$ 12,7 bilhões em julho de 2026 (−78,6%).
  • Truxt: de R$ 21,2 bilhões para R$ 2,6 bilhões (−87,9%).
  • Adam Capital (Márcio Appel): de R$ 17,4 bilhões para R$ 2,9 bilhões (−83,5%).
  • Casas do Leblon e de multimercados, como Bahia Asset e Leblon Equities, também aparecem com retrações pesadas.
  • Gestores médios ficam espremidos entre as grandes plataformas (BTG Pactual, XP, Itaú) e as boutiques especializadas.

O próprio texto traz o alerta correto: encolher patrimônio sob gestão não é, sozinho, sinal de crise do negócio. Em alguns casos a gestora enxuga produtos ruins, vende carteiras, opera no exterior ou simplesmente deixa de competir em “caixa e renda” com o CDI alto. Em outros, o cliente migrou porque o produto não entregou o que a narrativa prometia.

William Eid, da Fundação Getulio Vargas e colunista do E-Investidor, resume o ponto que interessa a quem aloca capital: com o dinheiro fácil e rápido em CDI e títulos isentos, ficou difícil explicar por que o cliente deveria permanecer no multimercado.

A leitura da Global Franchise

A Global Franchise não gerencia fundo multimercado. Formata e expande franquias: negócios com ponto, gente, produto, fornecedor e caixa operacional. Ainda assim, a matéria do Estadão conversa direto com o investidor e o empresário que chegam até nós perguntando onde colocar capital com tese de longo prazo.

1. Juro alto reprecifica o “dinheiro parado” e o “dinheiro em risco”

Quando o CDI e o isento de IR capturam fluxo, o investidor cobra clareza de tese de tudo que não é renda fixa. Franquia não compete com CDB. Compete com a pergunta: quero um ativo financeiro líquido ou um negócio que gera operação, emprego e margem no dia a dia?

Quem vende franquia como se fosse “aplicação passiva” erra o produto. Franquia é trabalho + capital + sistema. O FDD americano e o COF brasileiro existem justamente para dizer o que o investidor está comprando de verdade.

2. Escala de plataforma não é o mesmo que valor de operação

A matéria descreve gestoras médias espremidas entre gigantes de distribuição e boutiques especializadas. No franchising o paralelo é conhecido: redes genéricas no meio do caminho perdem para a marca nacional com marketing pesado e para a operação local com identidade forte e unit economics saudável.

A resposta, no nosso campo, não é “ficar no meio”. É especializar o modelo, provar a unidade piloto, formatar com rigor e só então escalar. Cases recentes no Norte e no Sudeste que a Global Franchise formatou seguem essa lógica: operação que comprova, depois rede.

3. Resgate de cotista e “resgate” de franqueado são fenômenos diferentes, e ambos doem

No fundo, o cotista resgata e o patrimônio some do painel da gestora. Na franquia, o franqueado descontente não some em silêncio: ele para de renovar, contamina a rede, judicializa ou opera mal e queima a marca no território.

Por isso formatação séria trata seleção de franqueado, treinamento, auditoria e suporte como alocação de risco, não como “departamento de RH cosmético”. O patrimônio da rede é a reputação + o P&L das unidades, não o slide de meta de lojas.

4. Especialização e operação real voltam ao centro

O texto aponta boutiques que se salvaram ou se reposicionaram por foco (ações, nichos, exterior) e gestoras que venderam núcleos ruins. No franchising, o equivalente é abandonar a fantasia do “multiformato sem método” e escolher o que a unidade realmente faz bem, com custo de labor, ticket e mix medidos.

Investidor sofisticado, depois de anos de juro alto e de decepção com produtos opacos, pergunta menos “qual o hype” e mais “qual o histórico da unidade, qual o break-even, quem opera no terreno”.

5. Capital brasileiro busca tese em dólar e tese em operação

Em paralelo a essa encolhida de patrimônio sob gestão em multimercados, a Global Franchise vê no campo outro movimento: empresários trocando a lógica só de imóvel ou só de fundo pela lógica de franquia estruturada, no Brasil e nos EUA, com parceiro local e documentos claros (incluindo FDD quando o destino é americano).

Não é “fundo versus franquia” como se um anulasse o outro. É portfólio. Renda fixa, equity, imobiliário e negócio franqueado ocupam papéis diferentes. O erro é misturar as expectativas: querer liquidez de fundo com retorno de operação, ou querer passividade de cotista com resultado de loja.

O que recomendamos a quem está lendo o Estadão e pensando em franquia

  1. Separe o produto. Franquia é empresa em rede, não cotista de multimercado.
  2. Leia o documento. COF no Brasil; FDD nos EUA. Sem isso, não há decisão informada.
  3. Visite a operação. Número de planilha sem loja aberta e sem gente treinada é narrativa.
  4. Dimensione capital e mão de obra. Juro alto e custo de labor mudam o break-even; a formatação precisa mostrar isso de frente.
  5. Prefira parceiro de estruturação a “oportunidade isolada”. Entrada no exterior ou expansão nacional sem projeto vira o mesmo filme que a matéria descreve nas gestoras: fluxo some quando a tese não se sustenta.

Conclusão

A reportagem do E-Investidor não “mata” a indústria de fundos. Ela mostra concentração, juro, produto e distribuição reescrevendo o ranking. Para a Global Franchise, o recado ao empresário e ao investidor é complementar: em ciclo de dinheiro seletivo, sobra espaço para negócios reais com modelo claro, unidade que prova e formatação que protege marca e capital.

Patrimônio sob gestão de fundo encolhe no resgate. Patrimônio de uma rede bem formatada se constrói loja a loja, com operação, gente e padrão. São mercados diferentes. A disciplina de alocação, essa sim, é a mesma.


Fonte: Marília Almeida, “Fundos de 90 gestoras perderam metade do patrimônio em 5 anos”, E-Investidor / O Estado de S. Paulo (14/09/2026). Análise e comentário da Global Franchise.

Nota: este texto é comentário editorial sobre notícia de mercado. Não constitui recomendação de investimento em fundos, ações ou franquias. Resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de capital devem ser tomadas com assessoria própria (financeiro, jurídico e contábil).

A Global Franchise é consultoria especializada em formatação, expansão e internacionalização de franquias desde 1987, representante exclusiva da FCI no Brasil. Quer estruturar ou expandir sua marca? Fale conosco no WhatsApp.

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